Ao que parece foi o Alessandro Martins que deu início a esse meme, seguido por André Gazola, Leonardo Pastor e outros blogueiros. Pra não me estender demais, tentarei não listar hábitos comuns a todos os leitores (afinal, já conheceram algum bibliófilo que NÃO gostasse do cheiro de livros novos?)
Enfim, vamos lá:
1. Só empresto aqueles livros que não me importarei se não forem devolvidos, por isso, é pouco provável que alguém tire lá de casa minha edição comemorativa dos 400 anos de El Engenioso Hidalgo de Don Quijote de la Mancha. Para emprestar aos amigos tenho uma edição bilíngue da Editora 34 (Saraiva, R$ 74,00) que deixo circular por aí. (e como diz Saramago, sinto inveja dos que ainda não leram O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, pois ainda lhes resta um prazer na vida).
2. Não sou o tipo de leitor que cuida dos livros como se fossem objetos de arte. Nada mais estranho do que um livro que, depois de lido, continua com a aparência de que acabou de sair da estante da livraria. Pra mim livros são apenas objetos, suportes físicos para as histórias. Dobro, amasso, sublinho trechos e faço anotações em suas páginas sem dó nem piedade.
3. Prefiro comprar livros em sebos do que em livrarias. Gosto de encontrar anotações, dedicatórias e grifos de outros leitores. Gosto principalmente quando encontro brochuras com vícios na encadernação — aqueles que aparecem quando o livro fica aberto por muito tempo na mesma página. Leio logo essa página “viciada” pra tentar descobrir por que esse trecho era importante para o antigo dono.
4. Não gosto de marcadores de livros. Quando leio durante minhas viagens, uso a passagem para marcar as páginas. Em outras ocasiões, uso o que tiver por perto.
5. Outra coisa interessante (e meio nojenta) é minha coleção de mosquitos. Quando estou lendo e um mosquito pousa entre as páginas, não resisto e *plaft!*, fecho o livro com ele dentro. Tenho um especial carinho pelo pobre mosquito que, há anos, está preso em Finis Africæ, a sala secreta na biblioteca da abadia beneditina do romance O Nome da Rosa, de Umberto Eco (Saraiva, R$ 39,90).
6. Livros desconhecidos, que não foram indicados por ninguém, têm, em média, 30 páginas para “dizerem a que vieram”. Se não me conquistarem nas 30 primeiras páginas, largo pra lá. Se forem recomendação de alguém, costumo levar até a página 50 ou 60, no máximo.
7. Não sou de guardar livros. Compro, leio e levo no sebo para trocá-los. Guardo apenas exemplares de valor (financeiro ou sentimental). Se tivesse guardado todos os livros que li até hoje, precisaria de um apartamento de 5 quartos. Quando for bem velho e tiver encontrado o lugar onde quero morar até o fim da vida (de preferência na Itália, de frente pro Mediterrâneo), é provavel que tenha uma pequena biblioteca, onde lerei para meus netos.
8. Leitura acadêmica, blogs e feeds eu leio em qualquer lugar, com ou sem barulho. Para literatura, prefiro lugares tranquilos e confortáveis.
9. Erros de português e clichês literários me incomodam. Em textos acadêmicos, faço as devidas correções na margem. Em literatura, se forem poucos, deixo passar… se forem muitos e em sequência, paro de ler (já encontrei mais de 300 erros em um livro do Paulo Coelho).
10. Se a partir de hoje nenhum novo livro fosse publicado, o tempo que me resta de vida não seria suficiente para ler todos os grandes clássicos da literatura mundial. Tendo em minha relação de não lidos alguns dos livros de Dostoiévski, Kafka, Shakespeare, Tolstói, Faulkner, Flaubert, Garcia Márquez, Homero, Thomas Mann e Virginia Woolf, só pra citar alguns, não dá pra perder tempo lendo Jô Soares ou Dan Brown.
11. Nada contra os best sellers, afinal, com exceção da bíblia, O Senhor dos Anéis (Saraiva, R$ 111,10) é o livro mais lido no século XX e Dom Quixote (Saraiva, R$ 84,00) nunca deixou de fazer parte da lista dos 100 livros mais vendidos. :)
12. Gosto quando me pedem indicações de livros e acredito que livros devem circular.
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P.S: Não, eu não faço parte do programa de afiliados da Livraria Saraiva e não ganho nada se vocês clicarem nos links e comprarem os livros. Faço isso apenas porque gosto dos livros e acho que todos deveriam comprá-los e lê-los.
UPDATE (lembrei de mais dois hábitos).
13. Sou um bode literário.
14. Literatura estrangeira, prefiro ler no original. Certos autores e obras não permitem tradução. Imaginem um estrangeiro lhe dizendo que leu a versão traduzida para o alemão de Grande Sertão: Veredas (Saraiva, R$ 59,00)? Ou que leu poemas de Fernando Pessoa em russo? Não dá. Dá mesma forma, ou você lê A Divina Comédia (Saraiva, bilíngue, R$ 59,00) em italiano, ou é melhor nem ler. O mesmo vale para autores como Joyce ou o próprio Cervantes. Na pior das piores hipóteses, se você tiver que ler para um trabalho de faculdade, por exemplo, escolha um exemplar traduzido de forma acadêmica (aquele tipo de tradução onde as notas de rodapé explicam as escolhas feitas pelo tradutor).
P.S2: Se você souber inglês, faça a seguinte experiência: Leia qualquer livro de Edgar Alan Poe em inglês e depois leia novamente a mesma obra nas traduções feitas para o português por Clarisse Lispector. As obras em português são impressionantemente melhores que na versão original. Clarisse, ao traduzir, não conseguia deixar de imprimir ao texto seu toque pessoal. Ao ler Poe em português, no entanto, você não está efetivamente lendo o que o autor escreveu, mas uma forma melhorada de seus contos, feita por uma escritora, na minha opinião, é muitas vezes mais brilhante do que o próprio autor.









E é por isso mesmo que eu não consigo passar da 5ª página de um livro do Paulo Coelho… você aguentou encontrar 300 erros?! Eu teria parado no décimo…!
Também não empresto livros queridos, mas costumo julgar o livro pela capa e tenho acertado bem nas capas! :)
Abs,
“não dá pra perder tempo lendo Jô Soares ou Dan Brown.”
Adorei essa!
Vou colocar o link pra cá lá no meu post.
A do mosquito foi demais pra mim… apesar de chatos, fiquei com dó deles.
Uau…
pergunta (boba): o que você tem contra os marcadores de livros??? rs rs rs
mas, olha… concordo com muita coisa – embora não consigo exatamente seguir, como por exemplo, rabiscar nos livros.
simplesmente não consigo. Tenho vários cadernos de anotações, cultivados em anos e anos de leitura – justamente por essa ineficiência.
gostei!
bjo.
Desculpe, mas se erros de português te incomodam, porque tem um logo no nome do teu site. Expresso com S, cara, só em lanXonete de beira de estrada. Espresso requentado, saca? Um abrasso.
Nossa, espresso com s foi a pior que eu já tinha visto. E em um logo então matou a pau!
Pessoal… Por favor! Está MUITO certo!
” Não, voce não está lendo errado. Espresso é uma palavra de origem italiana, que não significa rapidez. Espresso é o particípio do verbo esprimere, cujo significado é “expressar” ou “pressionar para fora”. Em italiano, caffe espresso significa literalmente “café pressionado para fora”.
O termo surgiu por volta de 1.946 com a comercialização das máquinas do inventor Achille Gaggia e a popularização deste processo de extração do café.”
A propósito, estou A-M-A-N-D-O este site e anotando todos os títulos que ainda não li. Obrigada :))
Um abraço!