Sabe aquela prática comum em lojas virtuais que vendem camisetas, de pegar uma idéia no Think Geek e fazer uma cópia igualzinha? Ou aquela outra de estampar nas camisetas logotipos de empresas de tecnologia (protegidos por copyright, diga-se de passagem)?
Então… vejam só que interessante.
Semana passada escrevi um texto sobre uma empresa que tinha acabado de descobrir: a Pitilé – Trabalhos Manuais, criada pelo casal Bruna Richard e o Fabiano Abreu, que vende cadernos “100% feitos a mão” (guarde essa informação).
Passeando pelo blog e pela loja virtual da Pitilé, deparei-me com algumas informações e imagens curiosas.
Primeiro, cadernos com capas que parecem ter sido impressas em offset (processo automatizado, não manual… que, se for confirmado, contradiz a afirmação de “100% feito a mão” impressa na última página do caderno) com símbolos protegidos por copyright, como o da Apple e de produtos da Adobe, como o Photoshop, Ilustrator, Dreamweaver e outros.
Depois, uma impressionante semelhança com produtos da Corrupiola, que (creio eu) pode começar a ser entendida nesse trecho do post “Embora pareça igual tem muito de diferente”, escrito por Fabiano Abreu, no blog Pitilé [grifo meu]:
“(…) acabamos comprando outros da Papel Craft, Molecos e também Corrupios, da Corrupiola. Pensamos então em criar nossos próprios cadernos e iniciamos nossas experiências e acabamos chegando ao nosso processo que é o que difere os nossos cadernos dos demais. Isso é o legal dos trabalhos manuais, cada um desenvolve seu processo e por mais que o resultado final pareça o mesmo (um caderninho costurado à mão, sapatinhos de crianças, cachecóis, etc.) sempre existe um processo e descobertas diferentes que conferem um caráter peculiar ao trabalho de cada um.
Ok. Então Bruna e Fabiano foram clientes da Corrupiola antes de iniciarem suas “experiências” no universo dos cadernos “feitos a mão”? É isso?
Vai ver é por causa dessa inspiração, tirada dos Corrupios, que tenho dificuldade em encontrar o “caráter peculiar ao trabalho” que difere o poá verde, da Pitilé do bolinhas rosas com fundo verde, da Corrupiola.

Alguém notou o “caráter peculiar ao trabalho”? Alguém? Então, vamos em frente…
Comparando cada produto pessoalmente
Numa última tentativa de encontrar o tal “caráter peculiar” de cada caderno, decidi comprar um Corrupio Big Arms e um Pitilé série dock – Photoshop. Assim, colocando os dois lado a lado, poderia examiná-los cuidadosamente e encontrar suas peculiaridades.
Tendo optado pela modalidade de envio mais barata oferecida por cada empresa, a entrega do Corrupio aconteceu 2 dias após a compra e a do Pitilé em 7 dias.
Antes mesmo de abrir as embalagens, apenas olhando para cada um dos envelopes, já foi possível perceber que a Corrupiola parece estar preocupada em manter uma relação pessoal com o comprador, enquanto a Pitilé parece optar por um processo padronizado e impessoal.

Ao abrir os envelopes, não restaram dúvidas. O Corrupio, protegido em um envelope plástico que foi fechado com uma pequena flor adesiva, veio acompanhado de um cartão datilografado — numa Hermès Baby, com sua inconfundível letra cursiva — e assinado pela Leila e pelo Aleph, da Corrupiola. O Pitilé, ligeiramente amassado (provavelmente por culpa dos Correios), veio com um cartão padrão, impresso em papel craft, que termina com um “quando puder, deixe uma mensagem no nosso blog”, seguido da URL e Twitter Pitilé.
Abrindo ao meio Corrupio e Pitilé — antes que alguém diga que os critérios acima são subjetivos e irrelevantes na avaliação dos produtos — fui conferir a encadernação, último aspecto que poderia ser usado para atribuir um “caráter peculiar” aos cadernos. O resultado da comparação você vê abaixo (foto em alta resolução no Flickr).

O diferencial do produto feito a mão
Há alguns meses, quando falei aqui sobre o mini-livro da Vovólima que havia ganho da .marcamaria, comentei que o que mais me surpreendeu foi ter recebido o produto acompanhado de uma carta escrita a mão, especialmente para mim, pelo próprio Tio .Faso. Não fosse pela carta — que foi emoldurada e está na parede, ao lado da minha mesa de trabalho — é bem provável que o mini-livro já tivesse se perdido na estante, junto com outros livros.
O cuidado e carinho demonstrados pelo Tio. Faso ao escrever a carta fez com que eu percebesse o valor que aquela personagem e aquele mini-livro tinham para ele. Essa percepção, além de transformar completamente o valor que o livro tinha para mim, fez com que eu me desse conta de um coisa bacana sobre esse tipo de produto e modelo de negócio:
O verdadeiro diferencial do produto feito a mão não está propriamente no produto, mas na relação que o criador tem com ele e em como essa relação é apresentada a quem compra.
Resultado: o Corrupio já foi para a bolsa que carrego diariamente e passará a ser meu novo caderno de desenhos. E o Pitilé? Bom… o Pitilé está na mesa do computador, ao lado do telefone.
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UPDATE: De ontem pra hoje o caderno Poá Verde, citado no post, foi removido da loja virtual Pitilé. Além disso, alguns links do post que apontam para o site da Pitilé estiveram/podem estar fora do ar. Para ver fotos dos cadernos, acesse a galeria Pitilé no Flickr.
UPDATE2: Com base na informação fornecida pela Corrupiola, corrigi no texto a data de lançamento do Corrupio bolinhas rosas com fundo verde.







Já temos 2 Molecos Viajantes circulando por aí.
A proposta foi bem recebida e, com a ajuda do Tanure, comecei hoje a distribuir os Molecos Viajantes.
Os 4 primeiros participantes já foram escolhidos e serão anunciados aqui à medida que os cadernos começarem a viajar. Já o 5º participante… bom… o 5º participante pode ser VOCÊ!

















