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Os quase 20 livros que li em 2009 (retrospectiva)

Inspirado na lista de 32 livros lidos pelo André Gazola, do Lendo.org, e aproveitando que faltam 15 dias para o fim do ano, vou começar minha retrospectiva com uma lista dos livros que li (ou quase li) em 2009.

Assim como o André, qualifiquei os livros usando um sistema simples de estrelas, baseado exclusivamente no meu julgamento sobre o que achei bom ou ruim (mas não leve muito a sério meus julgamentos, afinal, estamos falando de um sujeito que não gosta de Clarice Lispector).

1. O Valor do Design, Guia da ADG Brasil ★★☆☆☆
2. O testamento do trovador, de James Cowan ★★★☆☆
3. Sobre a Literatura, de Umberto Eco ★★★★☆
4. Manual do Arquiteto Descalço, de Johan Van Lengen ★★★★☆
5. E a história começa: 10 brilhantes inícios de clássicos…, de Amós Oz ★★★☆☆
6. A viagem do elefante, de José Saramago (interrompido)
7. Paris é uma festa, de Ernest Hemingway (interrompido)
8. Além da revisão – critérios para revisão textual, Aristides Coelho Neto ★★★★★
9. Memórias de minhas putas trites, de Gabriel García Márquez ★★★☆☆
10. Watchmen – Edição definitiva, de Alan Moore & Dave Gibbons ★★★★★
11. Dom Quixote de La Mancha – Vol. 2, de Miguel de Cervantes (ainda lendo)
12. Uma história da literatura, de Alberto Manguel ★★★★☆
13. Por uma gastronomia brasileira, de Alex Atala ★★☆☆☆
14. A peste, de Albert Camus ★★★★☆
15. Montanhas da mente, de Robert Macfarlane ★★★★★
16. No teu deserto, de Miguel Sousa Tavares ★★☆☆☆
17. Simplicidade voluntária, de Duane Elgin (abandonado)
18. Seis passeios pelos bosques da ficção, de Umberto Eco ★★★☆☆
19. Almanaque Armorial, de Ariano Suassuna (ainda lendo)
20. Perdidos na Toscana, de Affonso Romano de Sant’Anna (ainda por ler)

Se você leu algum(ns) dos livros e discorda da minha qualificação, gostaria de ouvir sua opinião.

Se você acha Clarice Lispector o máximo e me considera um completo idiota por não gostar dos escritos dela… sim… eu sei que sou um idiota. Ela é fantástica e eu sei exatamente o que você pensa a meu respeito. Sinto o mesmo por pessoas que não gostaram de O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha.

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E já que está por aqui, aproveite pra conhece meus hábitos de leitor.

Pilha de livros para dezembro de 2009

Pilha de livros dezembro 2009

Almanaque Armorial, de Ariano Suassuna (R$40, Saraiva)

Perdidos na Toscana, de Affonso Romano de Sant’Anna (R$42, Saraiva)

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Veja também as pilhas de livros dos meses anteriores.

E já que está por aí, conheça também meus hábitos de leitor.

Clássicos adaptados para os quadrinhos

Costumo dizer que se a partir de hoje nenhum novo livro fosse publicado, o tempo que me resta de vida não seria suficiente para ler todos os grandes clássicos da literatura mundial. Tendo em minha relação de não lidos alguns dos livros de Dostoiévski, Kafka, Shakespeare, Faulkner, Flaubert, Garcia Márquez, Homero, Thomas Mann e Virginia Woolf, só pra citar alguns, não dá pra perder tempo lendo Stephanie Meyer ou Dan Brown.

Meu primeiro contato com os clássicos aconteceu no começo dos anos 90, quando eu tinha uns 14 anos, através de uma coleção de histórias em quadrinhos chamada Clássicos Ilustrados. Eram edições semanais com adaptações de obras clássicas como Moby DickHamlet, O Conde de Monte CristoGrandes EsperançasA Ilha do Dr. MoreauA Queda da Casa dos UsherO Morro dos Ventos UivantesA Letra EscarlateA Ilha do Tesouro e Cyrano de Bergerac (links para a versão .pdf dos quadrinhos de 1990).

Não consigo pensar numa forma melhor de despertar em crianças e adolescentes a paixão pelos grandes clássicos da literatura mundial.

Se você concorda e curte quadrinhos — principalmente adaptações de clássicos — vai gostar de saber que começou a pré-venda de “O Hobbit”, de J.R.R. Tolkien, ilustrado por David Wenzel.

Abaixo, 3 páginas de “O Hobbit” ilustrado (imagens de divulgação – clique para ampliar).

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AVISO AOS LEITORES

O link da pré-venda de “O Hobbit” que aparece nesse texto é meu primeiro como integrante do Programa de Afiliados do Submarino. No entanto, a adesão a esse programa não tem como função gerar algum tipo de renda para o este blogueiro que vos fala: todo o valor arrecadado com as vendas — incluindo os valores gerados pelas compras que eu mesmo fizer — será convertido em doação de livros.

Achei que seria legal comentar.

Pilha de livros para novembro de 2009

Pilha nov/09

Montanhas da mente, de Robert Macfarlane (R$44,90, Saraiva)

No teu deserto, de Miguel Sousa Tavares (R$30, Saraiva)

Seis passeios pelos bosques da ficção, de Umberto Eco (R$36, Saraiva)

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Veja também as pilhas de livros dos meses anteriores.

E já que está por aí, conheça também meus hábitos de leitor.

Literatura e Ficção Científica, quem curte?

Hoje em dia, com a Internet, informações sobre genética, inteligência artificial, viagens espaciais e física quântica estão ao alcance de todos. Será que isso torna mais difícil a tarefa de produzir livros e filmes de ficção científica? Além disso, será que livros desse gênero podem ser considerados “alta literatura”? E por que histórias desse tipo não fazem sucesso no Brasil?

Se você curte Philip K. Dick (autor de Blade Runner), Isaac Asimov (Eu, Robô) e Willian Gibson (Neuromancer), recomendo dar uma olhada no vídeo abaixo, que traz a primeira parte do programa Espaço Aberto, da Globo News, sobre literatura e ficção científica. Para ver as partes 2 e 3, dê um pulo no canal Dois Espressos, no YouTube.

Pilha de livros para setembro de 2009

setembro

Uma história da leitura, Alberto Manguel (R$62,50, Saraiva)

Por uma gastronomia brasileira, Alex Atala (Livraria Cultura)

A peste, Albert Camus (R$17,90, Saraiva)

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Veja também as pilhas de livros dos meses anteriores.

A arte de andar à pé (sauntering¹ & wanderlust)

Assim como Henry David Thoreau em seu livro “Andar à Pé” (Walking – 1862), nestes 30 e poucos anos de vida encontrei pouquíssimas pessoas que compreendiam a arte de caminhar, de dar passeios a pé. Dentre estas, um número ainda menor tinha o que nos países de língua inglesa é chamado de “wanderlust” palavra derivada do alemão, sem equivalente em português — que significaforte desejo de andar, viajar, explorar o mundo” (em alemão: “wandern’’, “a vagar”, e “Lust”, “desejo”).

Quando me proponho a guiar grupos de pessoas durante longas caminhadas por parques ou áreas de proteção ambiental, a primeira pergunta que normalmente ouço é: “O visual do lugar que vamos visitar compensa esses 10km de caminhada?”. E minha resposta é quase sempre a mesma: Não encare a caminhada como um sacrifício para atingir um determinado objetivo. A caminhada, por sí só, já faz parte da diversão. Quem encara a trilha como “mal necessário para se chegar em um lugar bacana” não entendeu direito o que é visitar uma reserva ambiental.

Trilha-dos-espelhos

Pros que, como eu e a Sra. Dois Espressos (foto acima), curtem caminhadas “selvagens” ou urbanas e querem compartilhar dicas de bons locais para flanar² ou fotos de suas andanças, criei o grupo “Sautering”, no Flickr. Apareçam por lá!

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1. “Sauntering”, palavra esplendidamente derivada de “pessoas vadias que erravam pelo país, na Idade Média, e pediam esmola sob o pretexto de irem à la Sainte Terre” à Terra Santa, até as crianças exclamarem “Lá vai um Sainte-Terrer“, um “Saunterer”, um da Terra Santa. Os que nunca vão à Terra Santa nas suas peregrinações, como pretendem, são, em verdade, meros vadios e vagabundos; mas os que lá vão ter são “saunterers”, no bom sentido que tenho em vista. É certo que alguns derivariam a palavra de sans terre, sem terra ou pátria, o que, portanto, no bom sentido, significará — não tendo pátria determinada, mas igualmente tendo sua pátria em toda parte. Pois este é o segredo do vitorioso “sauntering”. Os que se deixam permanecer em casa, quietos, sempre e sempre, podem ser os maiores errantes de todos; mas o “saunterer”, no bom sentido, não é mais errante do que o rio sinuoso, cujo propósito contínuo é encontrar o caminho mais curto para o mar. Prefiro a primeira como sendo a derivação mais provável pois toda caminhada é uma espécie de cruzada que nos foí pregada por algum Pedro, o Eremita, para avançarmos reconquistarmos esta Terra Santa das mãos dos infiéis. (Henry David Thoreau – “Andar à Pé”)

2. Do francês “flâneur”, siginifica “passear ociosamente; vaguear; perambular”. Caminhar pelo prazer de apreciar o que está à sua volta, parando aqui e ali para observar algo que chame sua atenção.

Adepto da Virtualidade¹ (biografia digital 1993~98)

AnarchistcookbookPor causa de dois excelentes posts do Mario Amaya sobre cibercultura Sempre fui cyberpunk” e “Uma crítica à cibercultura— acabei fazendo uma retrospectiva dos meus anos pré-Internet e lembrando dos fragmentos de cultura digital que fizeram parte da minha formação cultural.

No começo dos anos 90 (mais especificamente em 1993) eu era um lamer de 16 anos, com um PC 386 e um modem USRobotics de 14.400bps,  que achava que ser subversivo era ter no HD de 80MB uma cópia do Jolly Roger Cookbook, o “livro de receitas dos anarquistas”.

Acessava diariamente (ou “noturnamente”, pra ser mais preciso) a CentroIn, Mandic e Louca BBS², era Co-SysOp da JMBBS e dividia com um amigo (quando meus pais deixavam e apenas entre às 2h e 6h da madrugada) a manutenção do meu repositório pessoal de “informações subversivas”: a Silent Walkers BBS (o nome era meio ridículo, mas as telas feitas no TheDRAW eram fodásticas!)

Naquela época — e esse é um detalhe que os mais novos devem desconhecer o número de pessoas que podiam se conectar ao mesmo tempo em uma BBS era limitado pela quantidade de linhas telefônicas de que ela dispunha a LoucaBBS, por exemplo, tinha menos de 40 linhas. Para poder jogar MUD — uma espécie de World of Warcraft em modo texto eu esperava até meia-noite (quando as ligações passavam a ser gratuitas), colocava o PC para discar o número da BBS, aumentava o volume das caixas de som e ia fazer outra coisa, esperando que a conexão fosse estabelecida e o computador emitisse o famoso som que a “geração Velox/Speedy/NET Virtua” nunca ouviu.

GURPSCyberpunkFoi também nesse período que eu descobri o RPG e Loyd “The Mentor” Blankenship, um dos fundadores da Legion of Doom e autor de GURPS Cyberpunk, “o livro retido pelo Serviço Secreto dos EUA”, que apresentava como cenário de jogo um futuro distópico, definido pela interação do homem com a tecnologia e pelo conflito social. Foi esse livro que me levou a 1984 e Neuromancer, aos trabalhos de H.R. Giger e a filmes como Blade Runner, Akira e THX 1138 (um de meus filmes favoritos).

hmgigerA mistura de tudo isso com citações de Henry David Thoreau e exemplares da Heavy Metal Magazine³ deu origem ao fanzine Mídia Nômade, que abordava temas como ativismo, desobediência civil, intervenções urbanas e cultura digital (foram editados apenas 3 exemplares, com 4 páginas cada). Anos depois tentei re-editar o Mídia Nômade em formato eletrônico, mas “a onda” tinha passado.

Enfim, veio o lançamento do Windows 98, o surgimento do Audiogalaxy, o crescimento da Google e o fim do período Mezozóico da Internet.

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¹ Referência a Mago: A Ascensão.

² Lembro que assim que me tornei Co-SysOp da JMBBS, a empolgação em acessar diferentes BBSs do Rio, São Paulo e Belo Horizonte acabou me rendendo uma conta telefônica no valor de 400 URVs (que foi paga com a venda do meu kit multimídia da Creative Labs).

³ Pros que não conhecem, segue link para download direto do exemplar de novembro de 1993 da Heavy Metal Magazine.

transmetropolitan_1_______________

Addendum

Além das referências já citadas, recomendo também a série pós-cyberpunk Transmetropolitan, escrita por Warren Ellis e ilustrada por Darick Robertson (download gratuito da edição #1 direto da DC Comics, em inglês).

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“Num mundo duro e em desintegração há pouco em que acreditar ou com o que se identificar, com exceção de si mesmo. Quem você realmente é se tornou muito menos importante que sua imagem — quem as pessoas pensam que você é ou poderia ser. Isso vale para tudo, de roupas a acessórios tecnológicos e até seus avatares na rede”.

Loyd Blankenship – Cyberpunk

Kindle, Reader e e-Books

Kindle 2Há algumas semanas eu e @lcampanati (que mora nos EUA) temos conversado sobre a possibilidade de compra de um leitor de livros eletrônicos… mais especificamente o Kindle, da Amazon. Há algum tempo venho usando como leitor de e-books — tanto no notebook quanto no iPhone o aplicativo Stanza, mas a tela brilhante dos aparelhos não torna a leitura uma experiência agradável.

Foi durante esse processo de troca de experiências e idéias que acabei assistindo o programa Espaço Aberto, exibido no dia 29 de junho pela Globo News, que além de falar sobre leitores de livros eletrônicos (Kindle 2, Kindle DX, Reader, etc) e explicar como funciona o papel eletrônico (e-paper), mostrou a opinião de usuários dos aparelhos (um número muito pequeno, mesmo nos EUA).

Pros que ainda não sabem muito bem o que são livros eletrônicos (e-books) ou os que acham que e-book é sinônimo de arquivo .PDF, segue um link bem bacana (dica do Alessandro Martins, do blog Livros e Afins) sobre o ePub, padrão internacional para e-books.

Pros quem também estão pensando em comprar um desses aparelhos ou apenas se interessam pelo assunto, coloquei o vídeo do programa (dividido em parte 1, parte 2 e parte 3) no canal Dois Espressos, no YouTube. Logo abaixo, a primeira parte.

Pilha de Livros para maio/junho de 2009

domquixote

Watchmen – Edição definitiva, Alan Moore & Dave Gibbons (R$ 83,90, Saraiva)

O Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de La Mancha – Vol. 2, Miguel de Cervantes.

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Veja também as pilhas de livros dos meses anteriores.

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" (...) Quanto a mim, a base de minha vida vai ser uma fazenda em algum lugar onde vou produzir parte de minha própria comida, e, se necessário, toda ela. Um dia não vou fazer coisa alguma além de sentar embaixo de uma árvore para ver minha lavoura crescer (depois do trabalho devido, claro) -- e beber vinho caseiro, e escrever romances para edificar meu espírito, e brincar com meus filhos, e relaxar, e gozar a vida, e brincar, e assoar o nariz. (...) Vou viver a vida do meu jeito 'preguiçoso coisa ruim', é isso o que vou fazer."

Diário de Jack Kerouac, 23 de agosto de 1948.
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