Quando eu era criança, por volta dos 9 ou 10 anos, costumava preencher folhas e mais folhas de caderno com gigantescos esquemas para máquinas de Rube Goldberg.
Pra quem não sabe, uma máquina de Rube Goldberg é uma engenhoca que busca, de forma complexa e geralmente envolvendo uma reação em cadeia, executar uma tarefa simples. Explicado assim pode parecer complicado, mas qualquer pessoa que tenha assistido a abertura do programa Ra Tim Bum durante a infância vai lembrar da tal engenhoca. Um exemplo mais recente, que virou meme há alguns anos e ainda é o meu favorito, foi o comercial “The Cog”, do Honda Accord.
Desde o primeiro clipe da banda Ok Go — aquele das esteiras, Here it goes again — eu suspeitava que esse momento chegaria.
Finalmente, a Rube Goldberg doOK Go em This too shall pass.
Pouco conhecida no Brasil, Emily Jane White pode ser descrita como uma mistura de Hope Sandoval e P.J. Harvey, com um pouco de Nick Cave e Billie Holyday. Imaginou?
Semana passada comentei no Twitter sobre os valores exorbitantes que chefs brasileiros têm cobrado por seus pratos em comparação com os valores cobrados por chefs de renome internacional.
Quer um exemplo?
Se em uma noite tarde de sábado você for ao The Waterside Inn, em Berkshire, no Reino Unido, para experimentar o menu gastronomique do chef Alain Roux— que tem 3 estrelas Michelin — vai gastar £56,50 (algo em torno de R$170). Enquanto isso, aqui no Brasil, alguns restaurantes de São Paulo servem um “ovo cozido a 63ºC por 2h30″ por R$25 (é isso mesmo que você leu… 1 ovo por R$25) e um prato de massa com trufas brancas por R$410 (não é o jantar todo não… é só 1 prato de massa).
Minha dúvida: será que os clientes brasileiros — que, em sua maioria, não têm cultura gastronômica — conseguem captar a sutil diferença de um ovo comum para um “cozido a 63ºC por 2h30″ ou estão apenas pagando pelo status de comer em um bistrô badalado? E os chefs brasileiros… estão vendendo comida ou apenas toalhas bonitas, ambiente agradável e um pedacinho de carne sem gordura, em um prato enorme e caro, enfeitado com algumas folhinhas coloridas e rabiscos feitos com molhos insossos?
Em um estudo feito em 2008, um grupo de voluntários deu uma nota melhor a uma garrafa [de vinho] com etiqueta de US$90 que em outra com etiqueta de US$10, embora os pesquisadores tivessem enchido as duas garrafas com o mesmo vinho. Além disso, o teste foi feito enquanto o cérebro dos voluntários era visualizado com um aparelho de ressonância magnética. As imagens mostraram que a área do cérebro responsável por codificar as experiências do prazer ficavam muito mais ativas quando tomavam o vinho que acreditavam ser mais caro.
Mas será que existe algum critério para decidir se um vinho é melhor que outro? Claro que existe…
Cientistas desenvolveram maneiras de medir diretamente a discriminação do paladar dos enólogos. Um dos métodos consiste em usar um triângulo de vinhos. Não se trata de um triângulo físico, e sim metáfora: cada especialista recebe três vinhos, dos quais dois são idênticos.A missão: identificar o vinho diferente. Num estudo feito em 1990, os especialistas identificaram o vinho diferente somente em 2/3 das vezes, o que significa que, em 1 de cada 3 degustações, esses gurus do vinho não conseguiram distinguir um pinot noir com, digamos, “nariz exuberante de morango selvagem, abundância de aromas e framboesa” de outro com “aroma distinto de ameixa seca, cerejas amarelas e cassis sedoso”. No mesmo estudo, pediu-se a um conjunto de especialistas que avaliassem uma série de vinhos com base em 12 componentes, como teor alcoólico, a presença de taninos e o quanto vinho era doce ou frutado. Os especialistas discordaram significativamente em relação a 9 dos 12 componentes.
Com base nas informações de que os consumidores são estimulados positivamente ao saberem o valor daquilo que consomem e de que muitos especialistas não são capazes de, pelo paladar, diferenciar um produto de outro, eu pergunto:
Se pegássemos aleatoriamente alguns clientes do D.O.M. — eleito pela Restaurant Magazine como o melhor restaurante da América do Sul e 24º melhor restaurante do mundo — e, como sobremesa, sem dizer nada, servíssemos a eles o meu pudim de leite no lugar do pudim de leite preparado pelo Alex Atala, quantos perceberiam a diferença?E quantos achariam o meu pudim de leite melhor que o do Alex Atala? E se ao invés de clientes comuns fizéssemos a experiência com outros chefs brasileiros… quantos perceberiam a diferença?
Pudim de Leite servido no D.O.M. - Foto de Marcelo Träsel
Quer uma dica de qual poderia ser o resultado? Veja abaixo um trecho do programa “The F Word”, apresentado pelo chefGordon Ramsay — que somando todos os seus restaurantes acumula 13 estrelas Michelin — onde ele compete com a apresentadora de TV Sarah Beeny para ver qual brownie de chocolate agrada mais os clientes.
E como não para de chover aqui no sudeste, tenho ouvido muito Trespassers William (MySpace & Last.fm), banda californiana de indie rock que descobri há alguns anos quando assisti “Uma Canção de Amor Para Bobby Long” —A love song for Bobby Long (2004).
Dentre os álbuns do grupo — todos bem interessantes — recomendo “Different Stars” (86MB), lançado em 2002 e relançado 2 vezes.
Comecei a me interessar por filmes não-verbais em 1994, quando assisti pela primeira vez Baraka (1992), de Ron Fricke. Já tinha assistido seu filme anterior, Chronos (1985), e também Koyaanisqatsi (1982), primeiro filme da Trilogia Qatsi, de Godfrey Reggio, mas foi Baraka que fez minha cabeça explodir. Veja o trecho abaixo (apenas 7 minutos) e me diga se você sente falta de palavras.
Enfim… essa breve introdução foi só pra contar que caiu hoje na minha timeline do Twitter, via @montalvomachado, o link para um desses vídeos não-verbais… sem atores, sem texto, sem enredo… apenas imagens.
Sabe os violões e vocais da Laura Gibson? Sabe o estilo alt-country do Lambchop? Então… junte isso com um pouco do clima criado pelas músicas do Gustavo Santaolalla e você teráSera Cahoone, cantora e compositora norte-americana que mistura música country com indie rock de um jeito leve e gostoso de ouvir.
Poderia gastar linhas e mais linhas analisando os motivos pelos quais vídeos inexpressivos e descartáveis (como o trailer do filme Lua Nova, que teve 30+ milhões de views) conquistaram tamanha audiência, mas vou direto ao ponto do post.
Meus vídeos favoritos em 2009 (quem somados mal ultrapassam 2 milhões de views) foram…
Em 3º lugar: Bobby McFerrin e a escala pentatônica.
Bobby McFerrin, durante o World Science Festival 2009, brinca com a platéia e demonstra o poder da escala pentatônica
Em 2º lugar: The PEN Story.
Vídeo em stop motionelaborado a partir de 60 mil fotos. Sem pós-produção!
Hoje em dia, com a Internet, informações sobre genética, inteligência artificial, viagens espaciais e física quântica estão ao alcance de todos. Será que isso torna mais difícil a tarefa de produzir livros e filmes de ficção científica? Além disso, será que livros desse gênero podem ser considerados “alta literatura”? E por que histórias desse tipo não fazem sucesso no Brasil?
Se você curte Philip K. Dick (autor de Blade Runner), Isaac Asimov (Eu, Robô) e Willian Gibson (Neuromancer), recomendo dar uma olhada no vídeo abaixo, que traz a primeira parte do programa Espaço Aberto, da Globo News, sobre literatura e ficção científica. Para ver as partes 2 e 3, dê um pulo nocanal Dois Espressos, no YouTube.
Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.
Última nota do Moleco
" (...) Quanto a mim, a base de minha vida vai ser uma fazenda em algum lugar onde vou produzir parte de minha própria comida, e, se necessário, toda ela. Um dia não vou fazer coisa alguma além de sentar embaixo de uma árvore para ver minha lavoura crescer (depois do trabalho devido, claro) -- e beber vinho caseiro, e escrever romances para edificar meu espírito, e brincar com meus filhos, e relaxar, e gozar a vida, e brincar, e assoar o nariz. (...) Vou viver a vida do meu jeito 'preguiçoso coisa ruim', é isso o que vou fazer."