Sempre que vejo blogueiros-celebridade proclamando e/ou premiando sua relevância/influência — como nessa premiação dos Melhores da Websfera 09, onde um juri selecionado pela revista Pix, usando sabe-se lá que critérios, dentre outras categorias incrivelmente ridículas, premiou a própria revista Pix como melhor revista digital do ano — lembro-me de uma trecho do Breve manual de estilo e romance (R$ 17,00, Galileu), de Autran Dourado, onde ele conta a seguinte história:
Houve no Brasil, na década de 1920, um ecritor famosíssimo, Benjamim Constallat, que vendia que não era brincadeira, de fazer lágrimas de alegria nos olhos de editores; havia também um outro escritor, Mário de Andrade, que, para publicar os seus livros, em parcas edições, tinha que pagar. Um entrou para o currículo da literatura brasileira, o outro ninguém lê ou sabe quem foi.
Quer dizer, então, que ter a revista Pix dizendo quem é importante/relevante/influente é realmente um referencial de sucesso para as pessoas indicadas ao prêmio? É por esse tipo de reconhecimento que elas escrevem em seus blogs? E o mais importante: será que esse fenômeno atinge toda a blogolândia profissional? Será que blogueiros que eu considero sérios, como o Alessandro Martins, por exemplo, se prestariam ao papel de ir a uma cerimônia patética como essa?

Porque, afinal, são premiações assim que, vez por outra, me fazem pensar em que tipo de sujeito fica verdadeiramente extasiado quando um site, usando sabe-se lá que algorítimo, anuncia que ele é um dos 1000 twitteiros mais influentes, fazendo com que ele chegue ao ponto de criar uma URL especial para anunciar seu feito (pare o mouse aqui e leia o nome do link).
Na minha opinião, o tempo, espaço em disco ou poder computacional usado por esse tipo de “blogueiro influente”, apenas para difundir suas ilusões de auto-importância, seria bem mais útil e relevante se ele deixasse o computador rodando o screensaver do Projeto SETI@Home para ajudar na busca de vida extra-terrestre.
Enfim, fica a impressão de que alguns blogueiros podem até ter saído do Orkut, mas é bem mais difícil fazer com que o ideal de sucesso e popularidade difundido pelo Orkut saia da mente desses blogueiros.
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Mais sobre o assunto nos posts “Dois pitacos sobre a ‘crise’ do BlogBlogs”, “A poça d’água que é a blogosferas brasileira“, “Ainda sobre a relevância de blogs e blogueiros“, “Números são apenas números” e “A vaidade dos blogueiros relevantes“.

Essa historinha exemplifica bem o que eu não tolero em alguns blogs: a idéia de que o sujeito aceite dinheiro para fazer algo que não faria de graça. Ou seja: se o cara não tivesse sido pago pelo fabricante para fazer uma resenha, teria achado o produto uma merda.
No último fim de semana estivemos em Tiradentes, eu e a namorada, na companhia do Carlos Tannure e sua esposa Vera, para lançar os cadernos
Dúvida 1: Falando sério… foi pra ter
Acontece sempre. Alguém escreve um post sobre um tema polêmico, chovem comentários e, de repente, alguém diz que “acha toda aquela discurção sem sentido”. A partir desse ponto não importam mais o assunto do post ou a pertinência do que o sujeito disse. Uma dúzia de Vigilantes da Gramática (e muitas vezes o dono do blog) começam a usar, para derrubar o argumento do sujeito, o fato de que ele não sabe escrever direito.
Recebo diariamente feeds de, literalmente, mais de uma centena de blogs. O que muitos comentaristas não percebem (porque também não conhecem tão bem a própria língua) é que grande parte dos blogueiros que eles veneram cometem diversos erros indecorosos em seus posts.
Quando eu digo que a tal “blogosfera brasileira”, em termos de relevância e área de influência, não passa de uma poça d’água e que os “principais blogueiros” são só os girinos um pouquinho mais desenvolvidos, logo aparece um sem-noção pra dizer que falo isso porque tenho um blog pequeno e não faço parte de nenhuma das panelinhas.




















