Há algum tempo comentei no Twitter sobre como me causa estranheza a idéia de pagar uma pessoa para limpar o vaso sanitário da minha casa.
Hoje chegou por aqui, via feed da LadyBug, o link para um texto do Daniel Duclos, do The Dude’s Talk, que fala sobre “a relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir, sem medo, um MacBook no ônibus”. Seguem alguns trechos (grifo meu).
“Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos”.
“O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH“.
E, finalmente, o trecho que deu origem ao título…
“Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um MacBook de 1400 euros no ônibus sem medo“.
Recomendo fortemente a leitura integral do texto.