Em 1985 eu tinha 8 anos e uma discoteca típica de criança, com LPs do Pirlimpimpim, Plunct Plact Zum e Trem da Alegria. Esse aí ao lado foi o primeiro álbum que eu comprei com meu próprio dinheiro (da mesada, claro). Lembro de ter assistido o clip de Take on Me — provavelmente no Fantástico, já que ainda não existia MTV no Brasil — e ter ficado absurdado com a coisa toda. Saí da loja de discos, com o vinil debaixo do braço, andando como quem deixa pra trás a vida de criança e ingressa no mundo dos adultos.
Naquela época coleções de discos eram comuns e — sem a Internet e o MP3 — não existia essa história de baixar apenas algumas faixas de cada álbum pra montar seu próprio repertório musical. O máximo que havia eram as mixtapes, onde gravávamos as músicas que mais gostávamos pra ouvir em sequência, sem precisar ficar trocando de disco toda hora.
Enfim…
Com a popularização dos MP3 players, por volta do ano 2000, os CDs começaram a perder espaço e a idéia de ter álbuns completos, com músicas que têm ligação umas com as outras e capas que dizem algo sobre o conteúdo do disco, quase desapareceu, voltando a se tornar popular apenas em 2007, com o surgimento da dupla iPhone/iPod Touch e a difusão da tecnologia Cover Flow.
Acredito que tenha sido justamente essa possibilidade de ter sua coleção de “discos” desfilando na tela que trouxe de volta o antigo desejo de ter álbuns completos. Poder ver frente e verso, além de ter todas as informações sobre o álbum (incluindo as letras das músicas), tem feito com que, aos poucos, a idéia de um amontoado de arquivos MP3, jogados em pastas dentro de um disco rígido, pareça (ironicamente) coisa do passado.
Talvez por isso os iPods tenham se tornado os players de audio mais utilizados no mundo e a iTunes Store tenha ultrapassado 1 bilhão em downloads. Trazer de volta as capas faz com que os usuários vejam, de forma mais concreta, que o dinheiro que eles gastam com músicas se transforma em algo de maior visibilidade e que pode (quase que literalmente) ser manipulado por seus proprietários. Ver na tela, tocar com os dedos e mover de um lado para o outro as capas dos álbuns acaba fazendo com que os novos usuários criem um vínculo que havia se perdido desde a época das coleções de discos.
Por causa do iTunes e do iPod Touch, voltei a colecionar álbuns completos (que tenho baixado cada vez mais a partir de links diretos em blogs, com capas e tags corretas, e menos em programas de p2p). Ouvir todo o álbum, ao invés de baixar apenas as músicas de maior sucesso, fez com que eu descobrisse que nem sempre o que chega ao topo das paradas é o que há de melhor no trabalho de um determinado artista (taí Anna Julia, do Los Hermanos, que não me deixa mentir).
E pra vocês, utilizar o iTunes ou os iPods e poder ver as capas dos álbuns fez alguma diferença na forma como vocês armazenam e se relacionam com suas músicas?
Nessa semana que passou houve uma enxurrada de iPods Touch e iPhones no meu círculo de relacionamentos. Parece que todo mundo resolveu comprar o treco ao mesmo tempo.
O pessoal da 


















