Art & Copy (download)

Meu parceiro Tio .faso — com quem tenho longos debates sobre pirataria e direitos autorais — que me perdoe, mas tenho que compartilhar os links para download do fantástico documentário Art & Copy, de Doug Pray (o mesmo cara de Hype!), lançado nos “US and A” no início de 2009, já disponível na Amazon por US$13 (DVDs usados), e que, provavelmente, NUNCA será lançado aqui no Brasil.

Como o documentário está em inglês, sem legenda, não vou me dar o trabalho de traduzir o “plot summary”, retirado IMDB.

“…it reveals the work and wisdom of some of the most influential advertising creatives of our time — people who’ve profoundly impacted our culture, yet are virtually unknown outside their industry. Exploding forth from advertising’s “creative revolution” of the 1960s, these artists and writers all brought a surprisingly rebellious spirit to their work in a business more often associated with mediocrity or manipulation: George Lois, Mary Wells, Dan Wieden, Lee Clow, Hal Riney and others featured in ART & COPY were responsible for “Just Do It,” “I Love NY,” “Where’s the Beef?,” “Got Milk,” “Think Different,” and brilliant campaigns for everything from cars to presidents.”

Abaixo, o trailer…

…e links para download das 4 partes: Parte1, Parte2, Parte3 e Parte4.

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“As loucuras dos especialistas”

Cheguei ao final do excelente “Memória Vegetal” e aproveito para transcrever abaixo alguns dos trechos do subcapítulo “As loucuras dos especialistas”, onde Umberto Eco cita alguns comentários — não muito felizes — feitos por editores e críticos literários, sobre obras e autores de diferentes épocas.

Uma pequena lista de citações que os “especialistas” da atualidade deveriam manter à vista sempre que fossem escrever uma resenha. Afinal, ninguém quer ser lembrado como “o sujeito que recusou os originais de Tolkien para O Senhor dos Anéis“.

Emily Brontë: “Em O morro dos ventos uivantes, os defeitos de Jane Eyre [da irmã de Charlotte] são multiplicados por mil. Pensando bem, o único consolo que nos restará é o pensamento de que o romance nunca será popular” (James Lorimer, North British Review, 1849).

Em 1851, Moby Dick foi recusado na Inglaterra com a seguinte avaliação: “Não achamos que possa funcionar no mercado da literatura para jovens. É longo, de estilo antiquado, e cremos que não merece a reputação de que parece gozar.”

Flaubert, em 1856, viu repelida sua Madame Bovary com esta carta: “Cavalheiro, o senhor sepultou seu romane num cúmulo de detalhes que são bem desenhados mas totalmente supérfulos.”

De Emily Dickinson, o primeiro manuscrito de poemas foi rejeitado em 1862 com: “Dúvida. As rimas estão todas erradas.”

H. G. Wells, A máquina do tempo, 1895: “Pouco interessante para o leitor comum e não suficientemente aprofundado para o leitor científico.”

Colette, Claudine na escola, 1900: “Não conseguiria vender nem dez exemplares.”

Henry James, A fonte sagrada, 1901: “Decididamente, dá nos nervos… Ilegível. O sentido do esforço torna-se exasperante ao máximo grau. Não há história”.

James Joyce, Dedalus, 1916: “No final do  livro tudo se desintegra. Tanto a escrita quanto as ideias explodem em fragmentos meio úmidos, como polvorim molhado.”

George Orwell, A revolução dos bichos, 1945: “Impossível vender histórias de animais nos USA.”

Sobre Molloy, de Becket, 1951: “Não faz sentido pensar numa publicação: o mau gosto do público americano não coincide com o mau gosto da vanguarda francesa.”

Para o Diário de Anne Frank, 1952: “Esta jovem não me parece ter uma percepção especial, ou seja, o sentimento de como se pode levar este livro acima de um nível de simples curiosidade.”

Nabokov, Lolita, 1955: “Deveria ser contado a um psicanalista, o que provavelmente se fez, e foi transformado num romance que contém alguns passos de bela escritura, mas é excessivamente nauseant, até para o mais iluminado dos freudianos… Recomendo sepultá-lo por mil anos.”

Pra concluir (senão acabo transcrevendo todo o livro), seguem abaixo 3 anotações, extraídas de diários, que mostram que até os gênios podem ter dias ruins.

Tchaikovski, em seu diário, escrevia sobre Brahms: “Estudei longamente a música daquele tratante. É um bastardo, desprovido de qualidades.”

No Diário de Virgínia Woolf, lê-se: “Acabo de ler Ulysses e o considero um insucesso… É prolixo e desagradável. É um texto rústico, não só no sentido objetivo, mas também do ponto de vista literário.”

Manet, sobre Renoir, dizia a Monet: “Aquele rapaz não tem o mínimo talento.”

Os inimigos dos livros

O trecho abaixo, retirado das primeiras páginas do livro “A memória vegetal”, de Umberto Eco, me fez lembrar da fantásitca Biblioteca Pote de Mel, organizada pelo Alessandro Martins, do Livros e Afins. Uma biblioteca verdadeiramente amiga dos livros.

“Há outros inimigos dos livros: aqueles que os escondem. Há muitos modos de esconder os livros. Não criando uma rede suficiente de bibliotecas volantes, escondem-se os livros, que afinal custam dinheiro, das pessoas que não os podem comprar. Dificultando o acesso às bibliotecas, de tal modo que  para pedir dois livros seja necessário preencher dez fichas e esperar uma hora, subtraem-se os livros aos seus consumidores normais. Também se escondem os livros abandonando nossas grandes bibliotecas históricas à deterioração. É preciso combater aqueles que escondem os livros, porque são tão perigosos quanto as brocas.”

Fiz uma doação para a BiblioPote há algum tempo e acho que você deveria fazer o mesmo.

Pilha de livros para outubro de 2010

E retomando as atividades por aqui… segue minha lista de leituras para esse mês.
Livros para outubro de 2010
1. A Memória vegetal, Umberto Eco.
2. Sociologia da Cultura, Laurent Fleury.
3. Os 100 livros que mais influenciaram a humanidade, Martin Seymour-Smith.
4. A espetacular arte de desenhar quadrinhos, Lederly Mendonça.
5. Da cor à cor inexistente, Israel Pedrosa.
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Artes e Design, 1º dia (faltam 1459 dias)

Voltar às salas de aula da UFJF para mais 3 ou 4 anos de estudo deveria ser muito empolgante… mas, infelizmente, não é. Já conheço os jogos de poder, as fogueiras de vaidades do corpo docente e a inércia intelectual de uma enorme massa de acadêmicos que buscam apenas conseguir um diploma universitário com o menor esforço possível.

Depois de 2 graduações, de participar da política estudantil em diretórios acadêmicos e dos anos como bolsista de pesquisa, monitoria e extensão, a única coisa que me surpreenderia na aula de amanhã seria ver um professor entrar em sala, às 8h da manhã, dizendo a verdade aos calouros.

Malvados

Cortando o barato dos noivos

Pode dizer… você acha aliança de noivado uma coisa romântica, não acha? Uma prova de amor, né?

Pois deixa eu te contar uma história.

Alianças de noivado só se tornaram populares quando alguns tribunais norte-americanos começaram a recusar processos por “quebra de promessa de casamento“, iniciados por mulheres que haviam sido abandonadas por seus noivos depois de terem mantido relações sexuais. Antigamente processos desse tipo eram comuns, já que era muito difícil uma mulher conseguir um novo marido se já tivesse perdido a virgindade.

Cansados de tais queixas — e da algazarra que os jornais criavam por causa desse tipo de processo — juízes decidiram pôr um ponto final no assunto. Mas como garantir que um casal de noivos pudesse manter relações sexuais se a noiva não poderia mais recorrer à justiça caso o noivo mudasse de ideia? Afinal, ambos queriam sexo, mas para as mulheres os riscos eram muito grandes.

Aliança de Noivado

Se isso não é amor... o que mais pode ser? Fonte: GETTY

Assim surgiu a aliança de noivado: presente que, caso o noivado chegasse ao fim, não seria devolvido ao noivo. Essa solução desencorajaria o noivo a quebrar sua promessa e, caso noivado viesse a ser rompido, proporcionaria automaticamente uma compensação financeira para a noiva.

Em resumo, alianças de noivado — da forma como foram concebidas — são apenas uma conpensação financeira pela virgindade perdida.

Agora olha pra aliança no seu dedo… perdeu um pouco da graça, não perdeu?

Fonte: NYT

Covardes. Covarde.

Trecho de um relato escrito pelo Antonio Prata (grifo meu) sobre uma “abordagem policial” cada vez mais comum na Zona Sul do Rio de Janeiro (e sobre a forma como todos nós enfrentamos esse tipo de situação).

Enquanto um policial dava choques no homem e fazia perguntas, o outro revirava seus pertences com o bico do coturno, espalhando as sacolas plásticas, o cobertor cinzento e um amontoado de miudezas sob a marquise, onde ele se protegia da garoa.

O barulho de matraca da pistola amarela [uma taser gun], tec,tec,tec,tec,tec, como a ignição de um fogão que demora a acender, era abafado pelos gritos do mendigo, recebendo descargas na parte de trás das coxas e nas costas. Mais ainda, era abafado pelas vozes na minha cabeça: ‘Vai lá!’, dizia-me uma delas. ‘Você que teve pré-natal e fralda descartável, você que estudou em escolas privadas e freqüenta mostras de cinema, você, com lentes de contato e livros na estante, você, que veio de uma família estruturada e caminha em direção a um restaurante: vai ficar aí, parado? Outra voz, a voz covarde, me dizia: “esquece. Não é o caso de peitar dois policiais, ainda mais sendo paulista, no Rio de Janeiro. E se te jogarem no camburão? Se te derem choque com a arma amarela?’ A voz corajosa insistia. “É seu dever! E é pouco provável que te batam. Você sabe bem que, desde a redemocratização, a tortura deixou de ser aplicada aos de lentes de contato e livros na estante e ficou restrita aos do outro lado da rua, sob a marquise.’”

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Quem mora em Copacabana, perto do Posto 4 e da Estação Cantagalo do Metrô, presencia cenas como essa quase que semanalmente. Minha mãe, da janela do apartamento na esquina da Bolívar com Nossa Senhora de Copacabana, já viu adultos e crianças, homens e mulheres, gritando e se contorcendo na calçada por causa dos choques aplicados por policiais militares.

Leia o texto completo


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" (...) Quanto a mim, a base de minha vida vai ser uma fazenda em algum lugar onde vou produzir parte de minha própria comida, e, se necessário, toda ela. Um dia não vou fazer coisa alguma além de sentar embaixo de uma árvore para ver minha lavoura crescer (depois do trabalho devido, claro) -- e beber vinho caseiro, e escrever romances para edificar meu espírito, e brincar com meus filhos, e relaxar, e gozar a vida, e brincar, e assoar o nariz. (...) Vou viver a vida do meu jeito 'preguiçoso coisa ruim', é isso o que vou fazer."

Diário de Jack Kerouac, 23 de agosto de 1948.
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