Ensaio sobre a cegueira: filme

Fui assistir Ensaio sobre a cegueira (Blindness, 2008), filme dirigido por Fernando Meirelles e baseado no livro de mesmo nome escrito por José Saramago. Admito que estava bem cético em relação a uma adaptação cinematográfica de Ensaio, mas assistir o vídeo onde Saramago aparece visivelmente emocionado após a pré-estréia do filme em Lisboa me deixou empolgado.

A história fala sobre uma epidemia de “cegueira branca”, desconhecida pela medicina, que de repente começa a afetar os moradores de uma cidade. Acreditando tratar-se de uma doença infecciosa, o governo decide colocar todos os que foram afetados em quarentena. A medida que mais e mais casos de contágio vão sendo identificados, o local de quarentena começa a ficar superlotado. Neste cenário de exclusão e confinamento, onde inrompe a violência e a barbárie, apenas uma pessoa permanece imune à doença: A mulher do oftalmologista. (mais detalhes no trailer).

O filme — como já esperava — é fantástico e mesmo quem não leu o livro irá perceber, sem muito esforço, que Ensaio sobre a cegueira não é um filme literal, mas sim uma alegoria crítica de nossa época. Uma crítica da condição humana frente a crise do capitalismo no final do século XX.

Uma dica importante! Tente ir em um horário alternativo, com cinema vazio, para evitar que alguns idiotas se sentem atrás de você e fiquem falando o filme inteiro.

Para quem nunca leu nada do Saramago (shame on you!), recomendo começar pelo Caderno de Saramago — blog recém inaugurado pelo escritor — para ir se acostumando com o estilo de escrita em grandes blocos de texto, com frases e períodos longos e pontuação fora do comum. Coisas que só “o mais talentoso romancista vivo” sabe fazer.

2 Responses to “Ensaio sobre a cegueira: filme”


  1. 1 May 12/02/2009 às 1:01 PM

    Saramago….sem comentários!
    Excelente!

  2. 2 Maria Helena 29/06/2009 às 12:56 AM

    Sua crítica é fiel ao belo filme que assisti e que me emocionou!!! Que bom que não estamos cegos nem fúteis como os críticos estrangeiros que criticaram o filme por ser “deprimente” e “idealista”. Abraços, MHZ


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