Pessoas que pensam em preto e branco

Não, este não é um post sobre doenças que afetam o lado direito do cérebro ou sobre alguma teoria dos sonhos. É sobre “saber conversar”.

AristótelesHá muito tempo venho defendendo a idéia de que existem competências imprescindiveis à vida em sociedade que deveriam ser ensinadas na escola. Na minha opinião, muito mais importante do que saber os pontos culminantes do Brasil ou o como balancear equações químicas seria aprender sobre networking e, principalmente, os princípios da argumentação e da lógica aristotélica.

Hoje em dia é raro eu encontrar alguém que saiba discutir (tomado aqui no sentido original, do latim discutere). A maioria das pessoas — aparentemente ignorando o fato de que suas conclusões precisam ser sustentadas por premissas sai por aí dizendo bobagens tão descabidas que chega a ser ridícula sua incompetência em lidar com os aspectos mais rudimentares da argumentação.

Falácias comuns, como ignorar os argumentos e atacar o argumentador (da qual já falei aqui), dar respostas simples para questões complexas e tomar como premissa a conclusão a que se quer chegar já nem me espantam mais. Atualmente, o que mais me incomoda é o engano que dá título a este post: o conhecido falso dilema, onde o sujeito acredita que eu só posso provar que ele está errado se eu souber a resposta certa para a questão.

O que acontece é que, normalmente, a forma que eu escolho para pôr fim a um debate não é provar que eu estou com a razão (ou como preferem alguns, “provar que eu sou o fodão e sei de tudo”), mas sim tentar fazer com que a besta o sujeito perceba que o que ele está dizendo não faz sentido. Ou seja, mostrar ao imbecil sujeito que eu não preciso estar certo pra provar que ele está errado.

Algo que todos deveriam aprender com Sheldom Cooper

SheldonO argumento favorito de Sheldon, da série The Big Bang Theory, é a redução ao absurdo.

Reduzir ao absurdo (reductio ad absurdum) é um argumento lógico que, por definição, quer apenas mostrar ao sujeito que quando ele tem como premissa uma idéia absurdamente ridícula, é lógico que a conclusão a que ele chegou só pode ser, também, absurdamente ridícula. Simples assim.

O problema é que a maioria das pessoas, quando exposta a este tipo de argumento, fica frustrada por se deparar com a própria ignorância e opta por se agarrar à teoria de que se você não conhece a solução, também não tem o direito de questioná-la. A partir daí, os diálogos normalmente terminam assim:

Sujeito: Pronto… falou o cara que se acha o mais fodão do mundo, né?
Eu: Na verdade, não… eu me acho só mais inteligente do que você.

Anúncios

1 Response to “Pessoas que pensam em preto e branco”


  1. 1 Cristina 21/12/2008 às 7:41 PM

    Eu AMO o Sheldon e as conclusões dele!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




RSS Dois Espressos   Twitter Dois Espressos   Vídeos Dois Espressos   Fotos Dois Espressos
Músicas Dois Espressos   Links Dois Espressos   Locais Dois Espressos   GReader Dois Espressos
Facebook Dois Espressos   Livros de Dois Espressos   Corridas de Dois Espressos

Última corrida

Corridas

Fotos recentes

Mais fotos

Últimos Tweets

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

Última nota do Moleco

" (...) Quanto a mim, a base de minha vida vai ser uma fazenda em algum lugar onde vou produzir parte de minha própria comida, e, se necessário, toda ela. Um dia não vou fazer coisa alguma além de sentar embaixo de uma árvore para ver minha lavoura crescer (depois do trabalho devido, claro) -- e beber vinho caseiro, e escrever romances para edificar meu espírito, e brincar com meus filhos, e relaxar, e gozar a vida, e brincar, e assoar o nariz. (...) Vou viver a vida do meu jeito 'preguiçoso coisa ruim', é isso o que vou fazer."

Diário de Jack Kerouac, 23 de agosto de 1948.
Molecos Viajantes

Últimos links del.icio.us


%d blogueiros gostam disto: