Parabéns J.C.

Hoje em dia quase ninguém se lembra que o motivo da festa de Natal não é a troca de presentes ou a vinda do Papai Noel, mas sim o nascimento de Jesus Cristo (J.C. para os íntimos).

Mas aí eu pergunto: como é que alguém comemora com tanta alegria e entusiasmo o aniversário de um sujeito que mal conhece? Afinal, o que a grande maioria sabe sobre a vida de Jesus compreende um curto espaço de tempo, entre seus 30 e 33 anos. O que será que Jesus fez durante seus anos de formação, antes daquele primeiro milagre em Caná?

BiffPara preencher essa lacuna de 30 anos surge Biff, o grande camarada, parceiro, amigaço e chegado de J.C., no livro O Cordeiro, o evangelho segundo Biff, o brother de infância de Cristo. (Saraiva, R$ 47,00, frete grátis). De acordo com Christopher Moore, autor do livro, “O Cordeiro é uma espiadela por trás dos panos na vida do garoto prodígio original.”

Além de relatar, em primeira mão, tudo de fascinanete e divertido que ocorreu durante os “anos perdidos” de Jesus, o livro também traz várias dicas e informações “behind the scenes” da vida do Messias.

Exemplos:

  • O que fazer se o rosto do seu filho aparecer de repente em todos os pães da cidade.
  • A forma ideal de se escolher uma meretriz.
  • Como o sarcasmo foi inventado.
  • A história da luta marcial especificamente desenvolvida para os meninos de Nazaré (também conhecida como Judou).
  • O que dizia o rascunho do Sermão da Montanha.
  • Como reconhecer quando a imagem da Virgem Maria é uma visão autêntica… e quando é apenas um montinho de cocô.

Excelente leitura, que me lembrou muito a Bíblia Sacaneada, do Jesus, me Chicoteia. Veja um trecho abaixo.

O Anjo Raziel saiu de trás da árvore.
— O anjo do Senhor — falei por entre os dentes para Josué.
— Eu sei — disse ele, de um jeito como “se você já viu um, então viu todos”.
— Ele não pode fazer nada — repetiu o anjo.
— Por que não? — perguntei.
— Porque ele talvez não venha a conhecer mulher alguma.
— Talvez não? — falou Josué, parecendo nada satisfeito.
— Com talvez não você quer dizer que ele não deveria, ou que não pode? — perguntei.
O anjo coçou a cabeça dourada.
— Esqueci de perguntar.
— É meio que importante — observei.
— Bem, ele não pode fazer nada a respeito de Maria Madalena, isso eu sei. Eles me mandaram aqui para avisá-lo. Isso e que também está na hora de Ele partir.
— Partir pra onde?
— Esqueci de perguntar.
Acho que deveria ter ficado assustado, mas ao que parece  eu passei do medo à exasperação. Aproximei-me do anjo e cutuquei seu peito.
— Você é o mesmo anjo que veio até a gente antes para nos anunciar a vinda do Salvador?
— Era a vontade do Senhor que eu viesse lhes trazer essa mensagem de júbilo.
— Só estava pensando, pro caso de todos vocês, anjos, serem parecidos ou algo do tipo. Mesmo assim, depois de você aparece dez anos atrasado, eles te mandaram com outra mensagem?
— Estou aqui para falar com o Salvador que está na hora de Ele partir.
— Mas você não sabe pra onde?
— Não.
— E essa luz dourada à sua volta, essa luz, que negócio é esse?
— A glória do Senhor.
— Tem certeza que não é estupidez que está vazando pelos poros?
— Biff, seja bonzinho, ele é um mensageiro do Senhor.
— Bem, que diabos, Josué, ele não serve pra nada. Se a gente vai continuar a receber visitas de anjos, eles pelo menos deviam saber o que estão fazendo. Derrubar paredes ou algo parecido, destruir cidades, ah, não sei… entregar a mensagem completa.
— Desculpa — pediu o anjo. — Você gostaria que eu destruísse uma cidade?
— Descubra para onde Josué tem que ir, que tal isso?
— Isso eu posso fazer.
— Então faz.
— Já volto.
— A gente espera.
— Boa sorte — falou Josué.
Um segundo depois o anjo sumiu atrás de outra árvore e o brilho dourado desapareceu do bosque das oliveiras, levado por uma brisa morna.
— Você foi meio duro com ele — observou Josué.
— Josué, nem sempre dá pra conseguir que o trabalho seja feito sendo bonzinho.
— A gente tenta.
— Moisés foi bonzinho com o faraó?
Antes de Josué poder responder, a brisa morna começou a soprar novamente no bosque das oliveiras e o anjo saiu de trás de outra árvore.
— Você precisa patir para descobrir seu destino — disse ele.
— O quê? — perguntei.
— O quê? — perguntou Josué.
— Você deve sair em busca do seu destino.
— Isso é tudo? — quis saber Josué.
— É.
— E aquele negócio de “conhecer uma mulher”? — perguntei.
— Preciso ir.
— Agarre-o,  Josué. Você segura que eu meto a porrada.
O anjo, porém, desapareceu com a brisa.

1 Response to “Parabéns J.C.”



  1. 1 Anônimo Trackback em 20/09/2009 às 3:12 AM

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