Não há como defender molestadores de mulheres

Estava apenas aguardando um pronunciamento oficial de Ana Lúcia Fernandes (a “coelhinha ruiva” da Playboy) para publicar este post. Não presenciei o incidente e, por isso, achei melhor aguardar uma confirmação oficial dos fatos antes de comentar o ocorrido.

Por saber que muito já foi dito, tentarei ser breve.

A única informação que me interessa nesse caso é a seguinte: Ana Lúcia Fernandes estava trabalhando na Campus Party, no dia 24 de janeiro, quando foi molestada por um dos participantes inscritos no evento.

Ao contrário do que alguns têm defendido, a atividade profissional exercida pela vítima do abuso não tem relevância moral ou legal nesses casos. E, creio eu, cabe aqui lembrar aos que criticam ou condenam a escolha profissional de Ana Lúcia que em algumas culturas, na virada do século XX, até mesmo dançarinas (fossem elas de dança do ventre ou qualquer outro tipo de dança) não eram consideradas artistas, mas sim putas vadias.

Sei que diferentes argumentos podem ser usados para tentar EXPLICAR o ocorrido, mas nenhum… NENHUM argumento serve para JUSTIFICAR o abuso cometido pelo molestador e, por isso, estes argumentos não têm a menor relevância e não me interessam.

letra-escarlateO molestador (que rapidamente apagou suas presenças virtuais e se escondeu, como fazem os covardes sem caráter) não será processado por Ana Lúcia, mas me contento em saber que ele não sairá completamente impune, já que tudo o que tem sido dito sobre ele ficará por algum tempo circulando na mídia e, no futuro, guardado no cache do Google, como uma espécie “letra escarlate¹ virtual”… como um grande “M” (de Molestador) vermelho pendurado em seu pescoço.

Enfim, aproveito para fazer aquilo que o molestador, até o momento, não teve a hombridade de fazer: como não saberia escrever tão bem, torno meu o pedido de desculpas à Ana Lúcia escrito pelo blogueiro Alessandro Martins.

_______________

1. “A Letra Escarlate” é um romance de Nathaniel Hawthorne que se passa em Boston, no ano de 1666, e conta a história de uma mulher chamada Hester Prynne, que é submetida à vergonha pública por haver cometido adultério contra seu marido. Hester é presa e, logo em seguida, retirada da cadeia e levada à outra cidade, onde é obrigada a usar uma letra “A” vermelha presa ao peito, que a identificava como adúltera.

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5 Responses to “Não há como defender molestadores de mulheres”


  1. 1 Rogerio Caetano 28/01/2009 às 2:01 PM

    Cara, mais uma vez parabéns. E mais um detalhe que você esqueceu, ou não percebeu, você citou um filme do Fritz Lang também, “M, o vampiro de Dusseldorf”.

    Quando fiquei sabendo do ocorrido, me senti envergonhado pelo cara, mas depois que vi os posts dele, acho que ele merecia um corretivo. Na minha opinião ele ainda precisa de muito pra ser chamado de homen, não passa de um moleque brincando de ser homen.

    Abs.,
    Rogério Caetano

  2. 2 Julio 28/01/2009 às 3:17 PM

    Não há muito o que comentar em cima do que vc escreveu ou até mesmo do que o Alessandro Martins escreveu. Quanto mais o tempo passa mais me convenço que ainda estamos no velho oeste. Ou pior, na idade média. Eu não acho que a grande coletividade evoluiu tanto de lá p/ cá. Ela só aprendeu a disfarçar melhor suas intolerâncias, racismos, machismos, etc.

  3. 3 Alessandro Martins 28/01/2009 às 4:51 PM

    O Julio está certo. Apenas aprendemos a disfarçar melhor as coisas…

  4. 4 Marcela Ortolan 28/01/2009 às 10:26 PM

    Simples e direto.

    Respeito ao próximo e ética, são o mínimo que se espera de um Homo Sapiens Sapiens civilizado.

    Um ótimo post


  1. 1 Pô, meu! » Blog Archive » Eu já apanhei de mulher Trackback em 04/02/2009 às 2:10 AM

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