Laptops são os Colt .45 do Séc. XXI?

Em 2001 surgiu na então minúscula blogosfera brasileira um documento, escrito por Tom-B, entitulado Manifesto Nômade. Pros que não conhecem, segue o texto retirado do rizoma.net.

Liberte-se do átomo. Não tenho muita certeza quanto ao Negroponte, mas uma ele deu dentro: entre o átomo e o bit, fique com o bit. Trabalhe com a mente, não com a mão, e que o fruto do seu trabalho seja digital.

Liberte-se da corporação. “Patrão” e “empregado” são palavras que não têm mais sentido, assim como “senhor” e “escravo”. Trate as corporações de igual pra igual, com cuidado! – pois são feras poderosas. Dê a elas uma dose do seu próprio veneno: a oferta e a procura. Cobre sem dó.

Liberte-se do tempo e do espaço. Pra que acordar de manhã e bocejar em uníssono com o resto da cidade? Pra que enfrentar congestionamentos só para se deslocar até um cubículo odioso cuja única função é te colocar sob a vigilância de bedéis e babás? Faça o seu trabalho fluir através dos fios.

Trabalhe nu.

Arranje ferramentas para o seu cérebro. Outro paradigma: esqueça caixotes estacionários, pense em portáteis baratos e versáteis enfiados numa mochila.

Se tiverem a aparência de uma bolha colorida e translúcida, melhor. Se a velha-guarda der risada, deixe. Lembre-se que caixotinhos bege combinam com isórias bege, carpetes cinza, luzes fluorescentes e almoço das 12:00 às 12:30. Você pode escolher: é por isso que dreadlocks serão o símbolo de status do futuro.

Por enquanto você ainda vai estar preso: a fios de telefone e ethernet; à área de cobertura do seu celular. Mas fique esperto: daqui a vinte minutos o céu vai se coalhar de satélites e você vai poder sair correndo pra praia.

Arme-se! Os monolitos do poder não verão com bons olhos esses bandos de freaks correndo por aí, vivendo de produção intelectual pura, cagando pras regras do passado industrial. Fique ligado em criptografia, em redes de contatos e nos caminhos da economia.

A época é de transformação. Caos e oportunidade. É a nova fronteira – laptops estão para os anos 00 assim como os clássicos Colts de 6 tiros estão para o Velho Oeste.

Minha dúvida é a seguinte: pra vocês esse manifesto foi visionário ou utópico?

Esse futuro em que “monolitos do poder não verão com bons olhos esses bandos de freaks correndo por aí, vivendo de produção intelectual pura” e que “dreadlocks serão o símbolo de status” já chegou? Vai chegar? Jamais vai acontecer? “Patrão e empregado são palavras que não têm mais sentido”? Tratamos “as corporações de igual pra igual”? Algum dia trataremos?

Opiniões de blogueiros profissionais são muito bem-vindas.

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