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Pilha de livros para outubro de 2010

E retomando as atividades por aqui… segue minha lista de leituras para esse mês.
Livros para outubro de 2010
1. A Memória vegetal, Umberto Eco.
2. Sociologia da Cultura, Laurent Fleury.
3. Os 100 livros que mais influenciaram a humanidade, Martin Seymour-Smith.
4. A espetacular arte de desenhar quadrinhos, Lederly Mendonça.
5. Da cor à cor inexistente, Israel Pedrosa.
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Dou a maior força… porém…

Dou a maior força!

Cennarium — empresa que transmite espetáculos de teatro pela Internet — está promovendo hoje uma blogagem coletiva para divulgar o Manifesto Mais Teatro, Brasil! Um manifesto nacional que propõe a inclusão sociocultural e disseminação da arte, cultura e entretenimento usando como base o teatro.

O objetivo da campanha é:

Colher o maior número de assinaturas possível para dar entrada, junto ao Congresso Nacional, num projeto de Lei de Iniciativa Popular, para que seja obrigatória a construção de um Centro Integrado de Cultura, em cada município cuja população seja superior a 25 mil habitantes.

Esses Centros Integrados serão espaços multiculturais que, além de um teatro — núcleo fundamental do projeto — contarão com “salas de cinema, biblioteca, salas de exposições, salas para eventos e palestras, espaços para cursos e oficinas de teatro, artesanato, artes plásticas, pintura, música, dança”, “um espaço multimídia (…) para fomentar a inclusão digital (…) e, ainda, espaços destinados ao comércio”.

Dou a maior força!Sobre as intenções do projeto e suas bases ideológicas

Não há como questionar a importância da construção de espaços destinados a difusão cultural e artística onde quer que seja. Mesmo que o projeto não chegue a ser posto em prática, só o fato de “fazer barulho” e trazer a questão para pauta de debates já faz com que a iniciativa seja louvável e digna de apoio.

Entretanto, minhas duas formações acadêmicas — uma na área de Educação e outra na de Ciências Sociais — me obrigam a comentar dois pontos do Manifesto que considero controversos.

O primeiro ponto diz respeito ao uso do termo “cultura”. Acredito que é preciso ter cuidado ao afirmar que uma parcela da população está “sem acesso a cultura”. Particularmente não conheço ninguém que esteja “sem acesso” a novelas, Big Brother Brasil, futebol, funk e grafite (pixação)… e tudo isso é cultura. Logo, dizer que “qualidade da educação de um país está intimamente ligada ao acesso que sua população tem à cultura” é, no mínimo, incompleto. O que se quer dizer, creio eu, é que a qualidade da educação de um país está intimamente ligada ao acesso que sua população tem à cultura que as escolas consideram legítima e digna de reprodução (o que também é discutível, mas, enfim…).

O segundo ponto — e esse me preocupa mais — diz respeito as afirmações, com questionável base teórica, que apontam a educação como elemento fundamental para a construção de um projeto nacional e grande (principal?) responsável pela redução das desigualdades sociais (Bourdieu deve ter se revirado no túmulo).

Dizer que “quanto melhor o nível de educação, menor serão as desigualdades sociais” é acreditar, dentre outras teorias, no paradigma da educação redentora (vasta bibliografia sobre o tema na Internet), que já foi questionado por inúmero filósofos, sociólogos e educadores (arrisco até dizer que na biblioteca da Faculdade de Educação da UFJF — onde concluí uma de minhas graduações — exista uma sessão inteira só com livros, dissertações e teses sobre o tema).

Não sei se existem, nos dias de hoje, sociólogos ou educadores que ainda defendam a ideia de uma educação que busque adaptar o indivíduo ao meio para curar suas mazelas sociais.

Enfim… como disse acima… apoio integralmente a iniciativa de construção de espaços destinados à arte, mas acho importante promover uma discussão mais aprofundada sobre as ideias contidas no Manifesto para que, assim, tenhamos um Projeto de Lei que, se aprovado, será realmente a maior transformação da história da cultura brasileira.

Para conhecer todos os detalhes sobre o funcionamento dos Centros Integrados de Cultura, visite a página do “Mais Teatro, Brasil!” e leia o Manifesto. Lá você também encontrará informações sobre a viabilidade econômico-financeira do projeto, o conceito arquitetônico dos Centros Integrados e a importância deles para o desenvolvimento cultural da população dos municípios onde eles serão construídos.

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UPDATE: Via Livros e Afins, uma lista com outros blogs que participam da blogagem coletiva.

  1. Caducando: Teatro; onde possível
  2. Caminhante Diurno: Mais teatro, Brasil!
  3. Código Livre: Mais teatro, Brasil! Dou a maior força
  4. Gatos em Foco: Mais teatro, Brasil! Dou a maior força
  5. Interpretante Imediato: Dou a maior força
  6. Jeguiando: Mais teatro, Brasil: Blogagem coletiva
  7. Jornalista Masini: Mais teatro, Brasil
  8. Jujuba Crônica: Mais teatro, Brasil
  9. Trecos e trapos: Mais teatro, Brasil
  10. Vivendocidade: Vamos ao teatro!
  11. Lendo.org: Mais teatro, Brasil! Disseminando a cultura
  12. Visão Panorâmica: Cultura, teatro e cidadania: mais teatro, Brasil!
  13. Vísceras literárias: mais teatro, Brasil!
  14. Coca gelada: Mais Teatro, Brasil!
  15. ClickFoz: Quer um teatro em sua cidade? Então apoie
  16. Divã do Masini: Blogagem coletiva Mais Teatro, Brasil!
  17. Pugnus Comunicação: Manifesto Mais Teatro Brasil
  18. Nossa Noite: campanha pró-teatro
  19. Claudia Belhassof: o teatro é nosso
  20. Encontro de Twitteiros Culturais apoia a campanha
  21. Pensamenteando: você já foi ao teatro?
  22. DJ Ilan Kriger: Mais Teatro, Brasil! Espalhe essa ideia
  23. Ernesto Diniz: Mais Teatro Brasil

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" (...) Quanto a mim, a base de minha vida vai ser uma fazenda em algum lugar onde vou produzir parte de minha própria comida, e, se necessário, toda ela. Um dia não vou fazer coisa alguma além de sentar embaixo de uma árvore para ver minha lavoura crescer (depois do trabalho devido, claro) -- e beber vinho caseiro, e escrever romances para edificar meu espírito, e brincar com meus filhos, e relaxar, e gozar a vida, e brincar, e assoar o nariz. (...) Vou viver a vida do meu jeito 'preguiçoso coisa ruim', é isso o que vou fazer."

Diário de Jack Kerouac, 23 de agosto de 1948.
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